A Zyppy, consultoria de SEO comandada pelo consultor Cyrus Shepard, reuniu 131 profissionais de peso do mercado e pediu pra cada um avaliar mais de cem possíveis fatores de ranqueamento do Google. O resultado saiu nesta semana: 13.665 avaliações individuais, a maior coleção de opinião especializada sobre o algoritmo do Google já reunida em um só levantamento.

Entre os nomes que contribuíram estão dois brasileiros conhecidos no mercado: Fabio Ricotta, da Agência Mestre, e Diego Ivo, da Conversion. Isso por si só já diz algo, o debate sobre o que faz um site subir no Google deixou de ser conversa só de agência americana ou europeia há tempos.

Rapidamente, alguns números pra situar o tamanho do trabalho:

  • Foram avaliados mais de 100 fatores de ranqueamento possíveis.
  • Cada especialista deu nota numa escala de 7 pontos, de fortemente negativo a fortemente positivo.
  • Juntos, os participantes dedicaram quase 44 horas só respondendo o questionário.

O ranking, na ordem que os especialistas apontaram

Depois de perguntar a nota de cada fator isoladamente, a pesquisa também perguntou, de forma aberta, quais eram os três fatores mais importantes na opinião de cada um. A tabela abaixo mostra o percentual de especialistas que colocou cada fator entre os três mais importantes.

PosiçãoFator% que citou como top 3
1Relevância57,1%
2Backlinks54,8%
3Qualidade de conteúdo47,6%
4Autoridade e confiança36,5%
5Comportamento e sinais de clique29,4%
6Sinais de marca27,0%
7Satisfação do usuário19,8%
8Saúde técnica do site17,5%
9Autoridade sobre o tema14,3%
10Links internos11,1%

Até aqui, nada muito surpreendente pra quem acompanha o mercado. Relevância, link e qualidade de conteúdo lideram há anos. A parte interessante do levantamento não está na ordem, está nos pontos em que os próprios especialistas discordam entre si.

A primeira discordância: o Google já disse que backlink não é top 3

Segundo artigo publicado pela Search Engine Land, Gary Illyes, engenheiro do Google, afirmou publicamente que link não está mais entre os três principais fatores de ranqueamento da empresa há algum tempo, e disse ainda não acreditar que exista um “top 3” universal, já que cada site tem uma combinação própria dos dois ou três fatores que mais pesam pro seu caso. Mesmo assim, backlink ficou em segundo lugar nesta pesquisa, atrás só de relevância. Segundo Cyrus Shepard, o boato da morte do backlink foi bastante exagerado.

O detalhe que explica parte dessa discordância está no tipo de link que os especialistas valorizam. Segundo os respondentes, link de domínio confiável, de página sobre o mesmo assunto e, principalmente, de página com visitante de verdade pesa muito mais do que a quantidade bruta de links. Nitin Manchanda resume a ideia dizendo que cem links vindos de audiência real valem mais do que mil links que ninguém nunca clicou. Já Andrew Shotland cita um caso de cliente citado numa reportagem da Reuters cuja visibilidade em respostas de IA generativa quadruplicou na semana seguinte, um sinal de que link relevante pesa cada vez mais também fora da busca tradicional.

A segunda: conteúdo de IA é bom ou ruim?

Aqui a divergência é direta. Segundo Ross Simmonds, a IA tornou barato publicar, qualquer pessoa consegue gerar mil artigos da noite pro dia, e é justamente por isso que a qualidade virou o filtro que separa quem sobrevive de quem não sobrevive nos resultados de busca. Já Abby Gleason relata resultado positivo usando conteúdo gerado por IA em escala, mas dentro de um site que já tinha bastante conteúdo original e revisão humana rigorosa em cada texto publicado.

As duas visões não se contradizem tanto quanto parecem à primeira vista. O ponto em comum é a escala sem revisão: conteúdo de IA publicado em volume alto e sem edição humana consistente recebeu nota negativa dos especialistas, enquanto pesquisa original e dado de primeira mão (informação que só quem produziu o conteúdo tem acesso) apareceram entre os fatores mais bem avaliados dentro de qualidade de conteúdo.

A terceira: ser muito bom pode te prejudicar?

Essa é, talvez, a discordância mais contraintuitiva de toda a pesquisa. Segundo Dan Petrovic, o Google funciona como um concurso de popularidade: depois que o conteúdo já é considerado relevante, aprofundar demais pode até prejudicar a visibilidade, porque o ideal é atingir um meio-termo que agrade ao maior número de pessoas possível, gerando compartilhamento e menção.

Andy Chadwick discorda na prática, ainda que não diretamente: pra ele, quando várias páginas já satisfazem a mesma intenção de busca, o que decide quem sobressai é justamente o ganho de informação, ou seja, a página trazer algo que as outras não trazem. Gianluca Fiorelli resume bem essa tensão: excesso de consenso deixa o conteúdo genérico demais pra ser relevante, excesso de ineditismo pode deixar o conteúdo contrário demais ao que todo mundo já aceita como verdade. O equilíbrio entre esses dois extremos, ao que tudo indica, ainda depende mais de sensibilidade editorial do que de fórmula pronta.

A quarta: velocidade do site importa ou não?

Nenhum outro fator dividiu tanto a opinião dos especialistas quanto velocidade de carregamento e Core Web Vitals (o conjunto de métricas do Google que mede velocidade, estabilidade visual e capacidade de resposta de uma página). Segundo Ryan Jones, esse é um dos fatores mais superestimados do SEO atual, na visão dele, ou a página carrega a tempo e está tudo bem, ou não carrega e não está, sem muita nuance no meio do caminho.

Greg Gifford discorda, mas por um motivo específico de segmento: para um site grande de comércio eletrônico, velocidade realmente importa, enquanto para uma concessionária de carro local, é comum a página demorar alguns segundos a mais pra carregar por causa de imagem em alta resolução, e isso raramente é o que decide a venda. A conclusão prática aqui talvez seja a mais útil de toda a pesquisa: a importância de um fator técnico varia conforme o tipo de negócio, não existe resposta igual pra todo mundo.

O que sinal de marca e comportamento do usuário têm em comum

Segundo Jan-Willem Bobbink, sinal de marca é, na opinião dele, o fator mais forte da lista inteira: um site tecnicamente capenga, sem otimização refinada de conteúdo, ainda consegue se destacar se as pessoas já pesquisam e comentam sobre aquela marca. Roger Montti vai na mesma linha, citando uma patente do Google de 2012 que trataria busca pelo nome da marca como o novo link.

Do lado do comportamento, a pesquisa mostra que o Google presta atenção em como a pessoa se comporta depois do clique. AJ Kohn cita o Navboost, sistema interno do Google que ajusta ranking com base no comportamento de clique dos usuários, como algo que segue tendo peso relevante. Gerry White reforça que quando alguém clica num resultado, não gosta do que vê e volta rápido pra tela de busca (o chamado pogo-stick, um sinal claro de insatisfação), o Google provavelmente registra isso. Diego Ivo levanta uma questão em aberto que vale reter: com a navegação cada vez mais feita por agente de IA em vez de pessoa clicando diretamente, como o Google vai continuar medindo esse tipo de sinal daqui pra frente.

O que fica desse retrato

Discordância entre especialista não é sinal de bagunça, é sinal de que SEO deixou de ser fórmula fixa. Relevância, link de qualidade e conteúdo original continuam sendo a base que praticamente ninguém questiona. A parte que muda de opinião pra opinião, como conteúdo de IA em escala, profundidade excessiva de conteúdo e peso da velocidade técnica, tende a depender do tipo de negócio, do tamanho do site e de como cada um mede sucesso internamente.

Vale registrar que a Zyppy já avisou que a próxima etapa da pesquisa vai tratar especificamente dos fatores que pesam pra aparecer em resposta de IA generativa, dentro do que o Encontrabilidade chama de GEO. Continuamos de olho nisso.

Perguntas frequentes

1. Qual foi o fator de ranqueamento mais votado pelos especialistas? Relevância, com 57,1% dos 131 especialistas citando o fator entre os três mais importantes. Backlinks veio em segundo (54,8%), e qualidade de conteúdo em terceiro (47,6%).

2. Backlink ainda importa pro Google, mesmo o Google dizendo o contrário? Segundo os especialistas ouvidos por Cyrus Shepard, sim, e bastante: backlink ficou em segundo lugar geral. A ressalva é sobre qualidade, link de domínio confiável e com visitante real pesou muito mais do que volume bruto de link.

3. Conteúdo gerado por IA prejudica o ranqueamento? Depende de como é usado. Segundo os especialistas, conteúdo de IA publicado em grande volume sem revisão humana recebeu avaliação negativa, enquanto conteúdo revisado com rigor e apoiado em pesquisa original recebeu avaliação positiva, mesmo quando produzido com ajuda de IA em escala.

4. Velocidade do site é um fator decisivo pro Google? Os especialistas discordam bastante sobre isso. Alguns consideram velocidade e Core Web Vitals fatores superestimados, enquanto outros apontam que a importância varia conforme o tipo de negócio, pesando mais em sites grandes de comércio eletrônico do que em negócios locais menores.

5. Existe algum brasileiro entre os especialistas ouvidos na pesquisa? Sim, dois: Fabio Ricotta, da Agência Mestre, e Diego Ivo, da Conversion, ambos entre os 131 profissionais consultados pela Zyppy.

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